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A geração das ondas pelo vento
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É o vento que cria as ondas quando sopra sobre o oceano
O ar é um fluido, como a água, as áreas
aonde a pressão do ar é alta estão constantemente tentando "encher
de ar" as áreas aonde a pressão é mais baixa. O fluxo de ar da área
de alta pressão para a área de baixa pressão forma o vento.
As áreas aonde a pressão do ar é baixa aparecem
na atmosfera devido ao aquecimento da terra e do mar pela luz do Sol, que por sua vez transmitem o calor para o ar acima deles,
estas massas de ar aquecidas com enorme quantidade de calor estão em constante movimento por toda a atmosfera do planeta, mudando
assim a todo o instante as forças gigantescas que produzem as ondas.
O vento sopra sobre o oceano, criando inicialmente pequenas marolas na superfície.
A medida que as marolas aumentam, a fricção do vento com a superfície
do mar também aumenta. Após um certo tempo que o vento passa soprando
sobre o oceano, estas marolas crescem cada vez mais. Se o vento aumentar de
intensidade e continuar a soprar, as ondas pequenas se transformarão
em ondas maiores. Quanto mais o vento se intensificar, maiores são as
ondas que ele vai criar.
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A energia que as ondas carregam
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O vento retira a sua energia do Sol.
As ondas são criadas quando o vento transfere a sua energia
para o oceano. O tamanho e a velocidade final da onda gerada depende de três
variáveis: a velocidade do vento, a duração do vento e o tamanho da "pista
oceanica " aonde o vento sopra.
Quanto mais forte soprar o vento, quanto mais tempo e quanto maior for a distância
sobre a qual ele sopra no oceano, maiores as ondas que serão criadas.
Por outro lado a limitação de qualquer uma destas variáveis irá restringir
muito o desenvolvimento das ondas e a transferência da energia para a água.
A medida que as ondas crescem, a distância entre as cristas das ondas também
se tornam maiores, permitindo que mais e mais energia seja transferida para
o oceano. Quanto mais energia é transferida para a água, maior é a velocidade
das ondas e maior é a capacidade que as ondas têm de manter
esta energia enquanto viajam grandes distâncias através dos oceanos.
A maneira mais fácil de se medir a velocidade das ondas é medindo o período:
o intervalo de tempo entre duas cristas de ondas seguidas, que passam por um
mesmo ponto na superfície do oceano, como uma bóia por exemplo. Quanto
maior o tempo entre duas cristas, maior será a velocidade da onda e maior
será a energia que ela acumula embaixo d'água.
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A perda de energia das ondas
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As ondas se deterioram e
ficam cada vez menores quanto mais tempo elas viajam.
No meio de uma tempestade existe uma mistura confusa onde
várias ondas de alturas, direções e velocidades diferentes se
cruzam na superfície do oceano. Todas estas ondas são o resultado das diferentes
fases na vida de uma tempestade:
As Vagas: ondas do período curto, portanto com valocidade baixa e pouca
energia acumulada, que são geradas pelos ventos que sopram no local.
Os Marulhos, ou Swells: são as ondas de período mais longo, geradas
pelos ventos mais antigos na "vida" da tempestade, que permaneceram
soprando durante um tempo maior sobre o oceano, elas possuem maior energia acumulada
e viajam a uma maior velocidade sobre o oceano, e tendem com o tempo a se organizar
em "trens de ondas" ou séries.
À medida que as ondas se movem para fora da área da tempestade, diminuem
muito de tamanho dentro dos primeiros dois mil quilômetros (mais de 60
%) e lentamente depois disso. Isto é causado por três fatores:
- As Vagas, marolas de período curto, se dissipam rapidamente
uma vez fora da área da pista onde o vento sopra;
- O espalhamento direcional das ondas enquanto se afastam
da tempestade em ângulos diferentes;
- A separação das ondas enquanto viajam para a frente
em velocidades diferentes após ter deixado a área da tempestade.
Este processo de deterioração inicial permite que as ondas
de período longo (swell) se afastem da área do mar com as ondas confusas
de período curto (vagas). Quando estas ondas mais velozes de período mais longo
se afastam da confusão provocada pela tempestade, elas são facilmente
identificadas como uma série mais organizada de ondas.
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A direção
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As ondas e o vento são direcionais, se originam de direções diferentes.
O ângulo que o vento ou o swell faz com a direção
Norte é conhecido como a sua direção. Note que a direção
das ondas e do vento são normalmente identificadas no sentido que o swell
e o vento estão vindo, não no sentido para onde ele estão
indo. Sendo assim, um swell vindo de Sul e indo para o Norte é identificado
como um swell de Sul, e o seu ângulo em relação ao Norte
é de 180º, um vento vindo de Leste e indo para o Oeste é
identificado como um vento Leste, e o seu ângulo em relação
ao Norte é de 90º.
Existem direções intermediárias entre as direções
Norte, Sul, Leste e Oeste: O Nordeste é a direção entre
o Norte e o Leste, o Sudeste entre o Leste e o Sul, Sudoeste entre o Sul e o
Oeste e Noroeste entre o Oeste e o Norte.
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O espectro das ondas
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É o conjunto de todas as ondas que passa sobre um ponto qualquer no oceano.
A direção de um swell é um fator importante
quando queremos saber se as ondas irão entrar ou não em determinada
praia, em um local qualquer do oceano poderemos encontrar ondas vindas de diversas
direções, assim costumamos identificar um determinado swell pela
sua direção e também pelo seu período.
O conjunto de todas as ondas de direções e períodos diferentes
em um local qualquer do oceano é chamado de espectro das ondas.
No Brasil as direções de swells mais comuns são as seguintes:
| SWELL |
CAUSAS MAIS PROVÁVEIS |
LITORAL QUE ATINGE |
| Sudoeste a Sudeste |
Frentes-frias e ciclones extra-tropicais |
Do Rio Gde. do Sul até
a Paraíba. |
| Nordeste a
Sudeste |
Pistas de vento
Leste sobre o oceano Atlântico Sul, provocadas por áreas de
Alta pressão, distúrbios de Leste e frentes tropicais. |
Praticamente todo o litoral do
Brasil. |
| Noroeste a Nordeste |
Frentes-frias e ciclones sobre
o oceano Atlântico Norte |
Do Pará até a Paraíba
e Fernando de Noronha. |
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A janela de swell
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Para um swell chegar na
sua praia ele deve ter o caminho livre de obstáculos,
O swell tem que prosseguir livremente desde o
local aonde ele se originou (por exemplo uma tempestade) até o seu litoral.
Se por acaso o swell encontrar uma ilha, uma ponta de terra, ou passar por águas
muito rasas, com pedras ou bancos de areia submersos, ele irá quebrar
e se dissipar. Até uma massa de terra a milhares de quilômetros
de distância poderá influenciar no tamanho das ondas em uma praia.
O conjunto de direções de swell que conseguem chegar até
a sua praia é chamado de janela de swell. Cada praia ou pico de
surf tem a sua própria janela de swell, por exemplo, a praia de Maresias,
no litoral Norte de S. Paulo, é limitada a Leste pela ilhabela, e a Oeste
pela ponta grossa. A janela de swell de Maresias se limita a 135º (Sudeste)
até 250º (Oeste-Sudoeste). Qualquer pista de vento sobre o oceano
que esteja virada para esta praia, e cuja a direção esteja dentro
desta janela, tem potencial para criar ondas em Maresias.
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O período
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É a variável mais desprezada.
O período é da maior importância
na avaliação do tamanho final das ondas e na qualidade do swell.
A maioria de surfistas conhece apenas o tamanho e a direção das
ondas. Mas é necessário se levar em conta também a velocidade
das ondas, como falamos anteriormente ela é
medida através do período do swell.
O tamanho real das ondas na praia é influenciado diretamente pelo período
do swell, isto acontece porque quanto mais longo o período do swell, mais as
ondas serão influenciadas pelo fundo do oceano, e mais elas tenderão
a desviar a sua direção em direção a uma certa praia,
e também mais as ondas crescerão quando chegam em águas rasas, isto será
mais detalhado nos tópicos a seguir:
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Ondas que viajam longas distâncias
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Quanto mais longo o período do swell, mais energia o vento transferiu para o oceano.
Os swells com 14 segundos entre duas cristas de onda são
de período longo, eles possuem mais energia acumulada e viajam grandes distâncias
através do oceano, porque a maior parte de sua energia está abaixo da
superfície, por isto estas ondas possuem menor inclinação no oceano,
sendo portanto menos percebidas, por outro lado isto permite que elas possam
facilmente passar através dos ventos e das ondas contrárias, sofrendo
quase nenhuma influência deles. Estes swells também são
chamados de swells de viagem longa (long travel swells, em inglês)
porque conseguem atravessar oceanos inteiros, são mais conhecidos como
swells oceânicos e podem atingir uma praia qualquer, a milhares de quilômetros
de onde foram gerados, sem absolutamente nenhum sinal que avise a sua chegada,
como chuvas ou ventos.
Um exemplo são os swells que atingem o litoral Norte do Brasil, vindos
das distantes tempestades do Atlântico Norte, algumas vezes próximas
ao litoral do Canadá, existem também os swells provocados por
ciclones extra-tropicais próximos ao litoral da Argentina, que atingem
principalmente o litoral Sul e Sudeste do Brasil, mas podem algumas vezes atingir
até o litoral do Nordeste.
Os swells de período curto, que possuem menos de 10 segundos entre as cristas
de duas ondas, são mais conhecidos como swells de vento ou ondulação
de vento (também chamado de vagas) porque são gerados por ventos
que sopram no próprio local ou próximo ao local, são formados
de ondas com paredes mais inclinadas, boa parte da energia de suas ondas está
acima da superfície do oceano, por isto estão mais sujeitas à deterioração
provocadas por ventos e ondas contrárias, e como eles carregam bem menos
energia do que os swells de período longo, desaparecem mais rapidamente
.
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Conservação da Energia
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Os swells viajam como trens de ondas, ou séries de ondas.
Enquanto o swell se move pelo oceano, a onda na dianteira
da série perderá velocidade e acabará na parte traseira
da série, enquanto as outras ondas se movem para a frente mais rápido
e tomam a sua posição. A próxima onda na dianteira se move para trás
e as outras tomarão o seu lugar, e assim por diante. Como ciclistas durante
uma corrida, este processo permite às séries de ondas conservar
a sua energia enquanto viajam grandes distâncias através do oceano, este também
é o processo que explica porque a velocidade do swell no oceano é
exatamente a metade da velocidade das ondas deste swell.
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Velocidade do swell e das ondas
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multiplicamos o período do swell por 2,8
Por exemplo, um swell com um período de 10 segundos estará
viajando aproximadamente a 28 quilômetros por hora. As ondas são
duas vezes mais velozes do que o swell (veja o tópico acima), e a velocidade
de uma única onda pode ser calculada multiplicando-se por 5,6 o período do swell.
Assim as ondas com período de 10 segundos viajam no oceano a 56 quilômetros
por hora.
| PERÍODO DO SWELL |
VELOCIDADE
DO SWELL NO OCEANO |
VELOCIDADE DAS ONDAS
NO OCEANO |
| 20 segundos |
56 Km/h |
112 Km/h |
| 16 segundos |
45 Km/h |
90 Km/h |
| 14 segundos |
39 Km/h |
78 Km/h |
| 12 segundos |
34 Km/h |
67 Km/h |
| 10 segundos |
28 Km/h |
56 Km/h |
| 8 segundos |
22 Km/h |
45 Km/h |
| 6 segundos |
17 Km/h |
34 Km/h |
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As ondas precursoras
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As ondas de período
mais longo são mais rápidas do que as de período mais curto,
como pode ser visto na tabela acima, sendo assim as ondas
de período mais longo serão as primeiras ondas de um swell a chegar numa
praia que esteja em seu caminho. As precursoras são as ondas que tem o período
mais longo do swell, portanto são as ondas que viajam mais rápido
do que a parte principal do swell, geralmente elas têm períodos maiores
do que 15 segundos.
Vindo logo atrás das precursoras, chegarão as séries de
ondas que têm mais energia, com períodos variando entre 10 e 15
segundos. A partir deste momento o período do swell que chega na praia irá
cair continuamente durante o resto do ciclo de vida do swell.
Quanto maior for a distancia que um swell viaja, maior é o intervalo
de tempo entre a chegada das ondas precursoras e o pico do swell. Frequentemente
as precursoras têm somente alguns centímetros de altura, mas podem
ser medidas por bóias e por outros instrumentos oceanográficos sensíveis.
As precursoras são muito difíceis de serem vistas, mas pessoas com olho
treinado algumas vezes podem percebê-las como pequenas ondas colidindo
com força contra as pedras, algumas vezes formando esguichos, outras
vezes quando o oceano parece se mover com ondas de maré e correntezas
novas. Mesmo que as precursoras tenham somente alguns centímetros de
altura, elas carregam uma grande quantidade de energia.
O mapa de período do swell primário é essencial
para se poder identificar a chegada das ondas precursoras de um novo swell,
antes mesmo que nós possamos percebê-lo na praia, este mapa mostra a chegada
das ondas precursoras como uma frente de ondas de período mais longo,
frequentemente em áreas aonde o tamanho das ondas ainda ainda é
pequeno.
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O período do swell e a profundidade do oceano
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As ondas viajando
sobre o oceano profundo não sofrem influência do fundo do mar.
A profundidade em que as ondas começam a "sentir"
o fundo de oceano é igual a metade do comprimento entre duas cristas de onda.
O comprimento da onda e o período do swell se relacionam diretamente, sendo
assim nós podemos usar o período do swell para calcular a profundidade exata
em que as ondas começarão a sentir o fundo de oceano.
A fórmula é a seguinte: o período do swell elevado ao quadrado ( multiplique
ele por ele mesmo ), e depois multiplique por 0,77 sendo o resultado igual a
profundidade em que as ondas começam a sentir o fundo de oceano. Um swell de
15 segundos começará a sentir o fundo do oceano em 173 metros de água (15 x
15 = 225. E então 225 x 0,77 = 173 metros de profundidade). Veja a tabela abaixo:
| PERÍODO
DAS ONDAS |
PROFUNDIDADE
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CLASSIFICAÇÃO |
| 20 segundos |
308 metros |
swell oceânico
com muita energia |
| 16 segundos |
197 metros |
swell oceânico forte
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| 14 segundos |
151 metros |
swell oceânico |
| 12 segundos |
111 metros |
swell oceânico (
pouco swell de vento ) |
| 10 segundos |
77 metros |
swell de vento (
pouco swell oceânico ) |
| 8 segundos |
50 metros |
swell de vento e vagas |
| 6 segundos |
28 metros |
vagas: ondulação
pouco definida de vento |
Nota-se que os swells de períodos mais longos são muito
mais influenciados pelo fundo do oceano do que os swells de períodos mais curtos.
Por esta razão os swells de período longo, com 12 segundos ou mais, são
conhecidos em inglês como ground swells , porque entram com o vento parado. Os
swells de período curto, com 10 segundos ou menos, não possuem energia
suficiente para viajar mais do que algumas centenas de quilômetros antes
que se dissipem.
Os swells de fundo, de período longo, começam a sentir o fundo logo no
início da plataforma continental, por isso têm muito mais habilidade
de modificar a sua trajetória em direção a um pico de surf,
esse efeito é conhecido como refração, enquanto que os
swells de vento, de período curto, mudam muito pouco a sua trajetória
porque só podem sentir o fundo quando chegam perto da praia.
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Refração
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As ondas direcionam a maior
parte de sua energia para águas mais rasas.
Quando uma onda passa sobre um fundo do oceano de profundidade
desigual, a parte da onda que passa sobre águas mais rasas fica mais lenta,
enquanto que a parte da onda que passa sobre águas mais profundas mantem a sua
velocidade. O resultado disso é que a onda começa a virar em direção
às águas mais rasas, semelhante a um carro com um pneu furado, cuja a
direção começa a puxar para o lado que o pneu está
furado. Este processo é chamado de Refração.
As Gargantas submersas (ou canyons submarinos) existentes no fundo do
mar em frente a algumas praias, são frequentemente os responsáveis
pelo aumento desproporcional do tamanho das ondas que chegam a esta praia, quando
a parte do swell que se move mais rapidamente sobre a água profunda vira e se
junta com a parte do swell sobre águas mais rasas, isto multiplica a energia
da onda, fazendo com que fique bem maior quando se aproxima da costa. Os efeitos
de uma garganta submersa podem ser percebidos em uma praia qualquer quando vemos
ondas grandes em uma área da praia, e apenas algumas centenas de metros
de distância, na mesma praia, as ondas ficam consideravelmente menores.
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Influência das águas mais rasas
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Quando as ondas entram em águas mais rasas proximo à costa,
seus limites mais profundos começam a se arrastar pelo fundo
de oceano, e o atrito com o fundo lentamente a retarda.
A energia que a onda acumula abaixo da superfície do oceano é empurrada para
cima, fazendo com que as ondas se ergam sobre a superfície do mar, em
inglês este efeito é conhecido como shoaling. Quanto mais
longo o período do swell, mais energia está acumulada embaixo da água,
isto significa que as ondas do período mais longo crescerão muito mais do que
ondas de período mais curto.
Uma onda de 1 metro de tamanho com um período de 10 segundos irá crescer
para ser uma onda de 1,20 metros quando chega ao pico de surf, enquanto que
uma onda 1 metro de tamanho com 20 segundos de período poderá chegar
com mais de 4 metros num pico de surf, dependendo do formato do fundo do mar.
Quando as ondas passam em águas cada vez mais rasas, elas se tornam cada vez
mais inclinadas e instáveis, a medida que mais e mais energia é empurrada para
cima, finalmente chega um ponto em que as ondas quebram, com uma profundidade
de aproximadamente 1,3 vezes o tamanho da onda. Uma onda de 2 metros quebrará
em aproximadamente 2,5 metros de profundidade, ondas de 4 metros irão
quebrar sobre 5 metros de água, etc.
Uma onda que viaja sobre um fundo de oceano que se inclina lentamente irá
se transformar em uma onda esparramada, que quebra lentamente, enquanto uma
onda que passa sobre uma rampa mais vertical, como um fundo de pedra, resultará
em uma onda quebrando mais rápida e mais oca.
Quando as ondas entram em águas mais rasas, a sua velocidade e seu comprimento
diminuem (as ondas ficam mais lentas e suas cristas ficam mais próximas),
mas o período do swell se mantém o mesmo que a onda tinha no oceano,
e poderá ser medido a qualquer momento com um relógio comum.
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Tamanho real das ondas nos picos de surf
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Cada pico tem que ser tratado de forma particular.
Como falamos anteriormente, gargantas
e bancos de areia submersos podem afetar muito o tamanho
das ondas que chegam a cada pico de surf. Previsões de ondas mais confiáveis
são obtidas quando se leva em conta as características próprias
de cada local, principalmente a "batimetria" (medição
de todas as profundidades) da área em frente ao pico de surf.
O modelo de ondas Wavewatch III do NOAA, utilizado em nossa previsão,
considera que as ondas estejam viajando em águas profundas. Todas as informações
que são assimiladas do NOAA, portanto, deverão ser tratadas como
relativas a águas profundas.
A previsão do Surfguru vai além, e disponibiliza uma variável
calculada especialmente para o surf, chamada surf potencial, leva em
conta no seu cálculo as principais variáveis de ondas: o tamanho
significativo e o período, além de considerar a janela de swell
de cada litoral e também a refração.
Levando-se em cosideração estes fatores, podemos obter uma estimativa
bem melhor do tamanho real das ondas nas praias de cada litoral.
Na próxima fase já em desenvolvimento, serão disponibilizadas
previsões que levam em consideração as características
próprias de cada praia, num esforço cada vez maior para se obter
os melhores resultados e informar cada vez melhor os surfistas.
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